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Fantasia e Repetição na Neurose Obsessiva

               

No último dia 08 de agosto Romildo do Rêgo Barros, AME da AMP, membro da EBP-RJ e do Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro, nos brindou com a palestra de abertura das atividades do 2° semestre da CLIPP, cujo foco no seu Curso de Psicanálise é o estudo da neurose obsessiva, por meio do caso clínico freudiano “O Homem dos Ratos”.

Romildo destacou que a neurose obsessiva é baseada em atos e repetições de ações carentes de sentido e de explicação. O que está fora de sentido é da ordem do ato. A fantasia obsessiva é infinita, uma vez que o sujeito não investe em um objeto específico, mas em uma série infinita deles (a, a’, a’’, a’’’...). Esse é o matema proposto por Lacan no Seminário 8: A Transferência. Se no matema da fantasia tenho o S (sujeito) barrado do lado esquerdo e o objeto a à direita, na fantasia do obsessivo temos o Outro (A) na esquerda e o falo (phi) à direita. O objeto fálico passa a ter uma medida de troca, de valor. Cada objeto que o obsessivo encontra no mundo é comparado com a moeda padrão, o falo. Mas esse falo não tem a ver com o objeto que iniciou a série. Nesse sentido, ele não tem uma versão concreta. Ele é um vapor que esvanece.

O valor de cada objeto depende dele ser cotejado em uma unidade de medida. Daí a dúvida do obsessivo: “Será que esse objeto equivale ao padrão?”. O padrão pode ser um ideal. Para Lacan a dúvida do obsessivo é um traço de caráter. Para Freud, a dúvida se articula à procrastinação, ou seja, aposta de que o encontro absoluto não se dê nunca. Desejo impossível como propõe Lacan.

Os objetos da fantasia do obsessivo são postos em função de certas equivalências eróticas. O phi é justamente o que está subjacente às equivalências no plano erótico. O ideal obsessivo seria que só existisse valor de troca, onde os objetos só existem na medida em que puderem ser intercambiáveis. Como o valor de troca em nossa cultura é o consumismo, a qualidade do objeto não tem importância quando comparado com sua seriação.

Hoje não contamos mais com um valor absoluto de Pai e Mãe. Se não existe um valor absoluto, a seriação, a troca dos objetos fica enlouquecida. Quando a quantidade enlouquece não adianta apelar ao Pai. Não há ponto de parada nessa corrida de troca.

Romildo disse que a ideia inicial, em seu livro “Compulsões e Obsessões. Uma neurose de futuro”, (esgotado), seria fazer uma ponte entre a neurose obsessiva proposta por Freud em 1907, passando por uma comparação com a religião e chegar até o TOC, transtorno obsessivo compulsivo, categoria proposta no DSM. Sua questão é o que a neurose obsessiva pode nos ensinar quando nos confrontamos com essas novas relações com os objetos, uma vez que, a dificuldade está em dar um valor ao objeto. O movimento de troca é o que impera e o gozo se localiza na seriação dos objetos.

Ao final da palestra, algumas questões foram colocadas pela plateia, tais como, sintomas atuais que apresentam compulsões mas não se tratam de neurose obsessiva. O Outro estaria fora de cena? A culpa do obsessivo, e a vergonha como uma possibilidade de saída. O obsessivo e a morte. Quando a quantidade enlouquece e não há como apelar ao Pai, é possível chamar a Mãe? Há neurose obsessiva nas mulheres? Sem dúvida trata-se de questões interessantes e disparadoras que podem e devem ser abordadas no trabalho da CLIPP sobre o Homem dos Ratos de 2014.

A generosidade de Romildo ao compartilhar seu conhecimento conosco nos estimula ao trabalho teórico e clínico. Agradecemos sua presença e contamos com um novo encontro tão instigante como esse!

Bom trabalho a todos!

Claudia Figaro-Garcia
Associada da CLIPP, membro da Comissão Científica

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