Editorial Revista Hades – Vol. 5 – N. 9 – dezembro de 2025 – www.clipp.org.br
João Paulo Desconci (Clipp)

Esta bela edição da Hades evidencia a exuberância do texto freudiano em relação à arte. Em O Moisés de Michelangelo de 1914, por exemplo, apesar de se apresentar como leigo no assunto, Freud conta que as obras de arte exerciam um forte efeito sobre ele, especialmente as obras literárias e as esculturas. No entanto, acrescenta que não se trata apenas de uma apreensão puramente intelectual, mas produzida a disposição afetiva, esse efeito se remeteria à constelação psíquica que gerou no artista o impulso para a criação.

A Gradiva de Jensen

Maria Bernadette Soares de Sant´Ana Pitteri (Clipp/EBP/AMP)

Numa teoria em que o determinismo mental aparece de modo acentuado, como falar em “criação”, no sentido do novo, do genuíno brotando no universo humano? Essa questão, na obra de Freud, surge pelo fato de ele trabalhar o psiquismo de forma finalista, considerando uma provável harmonia no desenvolvimento da sexualidade em direção à genitalidade.

O poeta e o fantasiar e a interpretação

Carmen Silvia Cervelatti (Clipp/EBP/AMP)

Freud escreveu, em 1908, o texto O poeta e o fantasiar (Autêntica), título também traduzido por O escritor e a fantasia (Cia das Letras) e Escritores criativos e devaneios (Imago). Há algum fio que ocupou Freud, notavelmente quando aproximamos outros textos do mesmo período: O delírio e os sonhos na Gradiva de W. Jensen (1907), As fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade (1908) e O romance familiar dos neuróticos (1909).

Há, não há no Leonardo da Vinci de Freud

Olenice Amorim Gonçalves (Clipp)

Por qual linha se articula o Freud de Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci (FREUD, 2021 [1910]) e o não há de Lacan? Que elementos o Leonardo de Freud lega à psicanálise como possibilidade de tratamento, ainda, diante dos sintomas da atualidade, numa época em que gozar é a ordem primeira?

Quixote: O delírio poético X o delírio clínico*

Andres Santos Jr. (Psiquiatra, Psicanalista)

Se considerarmos Alonso Quijano como um personagem “real”, observamos um delírio sistematizado, coerente, expansivo e crônico; sustentado por ideias delirantes de grandeza (acredita ser cavaleiro investido de missão divina); interpretação delirante da realidade (moinhos como gigantes, estalagens como castelos, camponesas como damas nobres); e preservação da lucidez fora do sistema delirante (raciocínio lógico quando não se trata de cavaleirismo). Clinicamente, isso se aproxima de um transtorno delirante persistente (CID-10: F22), tipo megalomaníaco, ou do que os clássicos chamariam de parafrenia — um delírio de estrutura coerente, sem deterioração intelectual ou afetiva grave, com alta capacidade de simbolização. É um delírio intelectualizado, imaginativo e afetivamente colorido, o que o distingue das esquizofrenias (onde o pensamento perde coesão) e o aproxima do delírio crônico interpretativo.

A Revista Hades é uma publicação mensal editada
pela Clínica de Atendimento e Pesquisas em Psicanálise (Clipp).

ISSN: 3085-9492

Editora: Maria Bernadette Soares de Sant’Anna Pitteri
Co-editores: Giolana Nunes, João Paulo Desconci, Katia Ribeiro Nadeau
Podcast, produção e apresentação: Claudio Ivan Bezerra
Consultora: Sandra Arruda Grostein
Web Designer: Bruno Senna
Conselho editorial: Carmen Silvia Cervelatti, Niraldo de Oliveira Santos e Leny Magalhães Mrech
Clipp – Clínica Lacaniana de Atendimento e Pesquisas em Psicanálise
Diretora Geral: Daniela de Camargo Barros Affonso
Diretora Secretária-Tesoureira: Melissa Ágda Silva
Diretora de Ensino: Perpétua Medrado Gonçalves
Diretor de Publicações: João Paulo Desconci
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