Carmen Silvia Cervelatti (CLIPP/EBP/AMP)
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Na psicopatologia, a alucinação, um fenômeno elementar, é uma alteração na função psíquica da percepção e o delírio no pensamento.

Lacan descobriu que “o fenômeno elementar está estruturado e sua estrutura é a da linguagem, tal como a do delírio”. Portanto, há entre ambos [alucinação e delírio] uma comunidade de estrutura”[1].  No psicótico eles advêm da falta de um significante fundamental, o Nome-do-Pai, que “corta pela raiz qualquer manifestação da ordem simbólica”, favorecendo a emergência de tais fenômenos. “O que foi foracluído retorna no real” porque o que foi expulso, permanece fora da possibilidade de qualquer simbolização, manifestando-se de forma errática.

No caso do Homem dos Lobos, a castração suprimida apareceu no real, mergulhando o sujeito num mutismo aterrorizado, ao ver que teria cortado seu dedo mínimo aos cinco anos de idade. Depois de seu período de análise com Freud, com Ruth Mack Brunswick, foi diagnosticado como episódio de paranoia hipocondríaca, no qual se via vítima de médicos num esforço de “explicar uma intrusão estranha e inquietante”[2] que se manifestava na busca por furos em seu nariz – algo deveras delirante.


[1] MILLER, J.-A.  A invenção do delírio. Opção Lacaniana On-Line, n. 5, jan. 2009. (Conferência proferida em 1995). Disponível em: <http://www.opcaolacaniana.com.br/antigos/pdf/artigos/JAMDelir.pdf>. Acesso em: 3 abr. 2026.
[2] Idem, p.4.