Maria Bernadette Soares de Sant´Ana Pitteri (CLIPP/ EBP/AMP)
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A Revista HADES extrai, mais uma vez de suas entranhas, preciosidades: em primeiro lugar, o texto de Eric Laurent “A psicose da criança no ensino de Jacques Lacan”, gentilmente cedido pelo autor para nossa publicação, traduzido pelos colegas José Wilson Braga Jr. e Kátia Nadeau.
Laurent observa que, embora Lacan não tenha escrito longos textos sobre psicose, ministrou um seminário inteiro a respeito (Seminário 3 – As Psicoses), além de redigir um texto que tem servido como guia para a clínica (“De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”) e que, segundo Lacan,
“contém o mais importante do que foi apresentado em nosso seminário, durante os dois primeiros semestres do ano letivo de 1955/56”. (Lacan, Op. Cit. In: Escritos, p. 537)
Vinte anos depois, em 1975/76, Lacan ministra o seminário 23 O Sinthoma, onde reexamina a questão da psicose, a partir de suas últimas elaborações sobre a clínica, o que arrebata de Miller a observação:
“o questionamento mais meditado, mais lúcido, mais intrépido da arte sem similar que Freud inventou, e que conhecemos sob o pseudônimo de psicanálise”. (Miller, contracapa do Seminário 23).
Laurent afirma ainda que Lacan, não tendo escrito muito sobre psicose, contentou-se com “intervenções fulgurantes” que, no entanto, de algum modo, revolucionaram a abordagem da psicose.
No caso da psicose infantil, esta permaneceu no ensino de Lacan como uma questão preliminar, mas com “referências extremamente valiosas” e Laurent comenta textos fulgurantes de Lacan sobre a psicose na criança, afirmando trabalhar um momento do ensino de Lacan, que “revela perspectivas clinicas ainda por fazer”. Lacan deixou pedras de espera preciosas para os psicanalistas desenvolverem a questão.
Em seguida, ao lado do texto de Laurent, temos o texto de Eliane Costa Dias, “Lacan e a clínica das psicoses: o que nos ensina ‘A Vegetariana’” – que, além de apresentar o semestre do Curso de Psicanálise da CLIPP dedicado ao Caso Schreber e à clínica das psicoses, partindo do aforisma lacaniano “Todo mundo é louco, ou seja, delirante”, traz excertos de apresentações produzidos pelos alunos do curso.
Boa leitura!

