Rosângela Turim (CLIPP)
rccastroturim@gmail.com
Giolana Nunes (CLIPP)
giolananunes@gmail.com
Miller aplica à clínica o conceito da economia das externalidades como efeitos colaterais de decisões sobre terceiros, para diferenciar de que modo sujeitos neuróticos ou psicóticos ordinários, experimentam a desordem que atinge a “junção mais íntima do sentimento de vida” [1]. Isto nos orienta a prestar atenção aos pequenos indícios trazidos pelo sujeito, organizando-os, a partir de uma tripla externalidade (social, corporal e subjetiva), nos três registros.
Externalidade Social: refere-se à relação com funções e profissões. Manifesta-se negativamente pelo “desespero misterioso”, desligamento e desconexão (errância) ou por outro lado, positivamente, por identificações intensas com o trabalho, cuja perda pode causar o desencadeamento.
Externalidade Corporal: o corpo é sentido como algo que se desfaz. O sujeito precisa de “laços artificiais” ou “grampos” para se apropriar da imagem corporal e sustentá-la.
Externalidade Subjetiva: marcada pela experiência de vazio e pela identificação real (não simbólica) com o objeto dejeto.
Sérgio de Campos[2] aplica essa tríade ao caso do Homem dos Lobos, sugerindo que a imaturidade sexual (concepções infantis na vida adulta) pode ser lida como uma variante da externalidade subjetiva.
