Eliane Costa Dias (CLIPP/EBP/AMP)
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A clínica estrutural é decorrência do primeiro ensino de Lacan, momento em que, suposta a primazia do Simbólico como registro organizador da estruturação psíquica, a condição do sujeito (neurose, psicose, perversão) dependeria primordialmente do que se passava no campo do Outro.
Nessa concepção, a psicose é definida num modelo de déficit, não orgânico (como apontaria a psiquiatria), mas simbólico: a foraclusão do NP (P0), o fracasso da operação da Metáfora Paterna, deixaria o sujeito sem a referência ordenadora da significação fálica (Ö0) para produzir sentido para a existência. Um furo no campo do Simbólico implicando um furo no campo do Imaginário, cujos efeitos são apreensíveis no desencadeamento.
Em seu último ensino, Lacan afirma que o traumático primordial do humano (troumatisme) reside no fato de que a imersão na ordem simbólica corresponde a uma perda fundamental em gozo, o que determina um vazio estrutural, um furo primordial, dado como constituinte para todos os seres falantes, nomeado posteriormente por Miller como foraclusão generalizada.
Desde o encontro do vivo com o significante, todo sujeito é confrontado com a exigência de encontrar uma saída para enodar o real do gozo excluído que insiste, a imagem do corpo (imaginário) e o campo do significante e das significações (simbólico), numa criação singular que lhe permita ocupar posição na realidade e na existência. Uma invenção que será sempre ficção, uma forma de delírio, loucura, o que leva Lacan a afirmar que, afinal, “todo mundo é louco, ou seja, delirante”[1].
