Rodrigo Camargo (CLIPP)
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Numa nota de rodapé incluída em 1966 por ocasião da publicação dos Escritos, Lacan acrescentou em seu texto De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose[1] (1958[2]), acerca do Esquema R, que a não-extração do objeto pequeno a seria concomitante à “emergência do tudo-saber” na psicose.
Nas palavras de Jacques-Alain Miller, “Lacan considera a questão da psicose a partir da função da realidade e nisso ele é freudiano” (LACAN, 1966/1998, p.559-560). Desse modo, a constituição do campo da realidade se baliza por essa extração, ou seja, seu enquadramento abre uma janela fantasmática sobre o real, que só se constitui sob a condição dessa subtração. Toda a realidade (portanto, não o real) só se sustenta por esse prisma do qual se vê o mundo levando-se em conta um furo nesse “tudo-saber”, outro modo de dizer a castração.
Assim, a (não) extração do objeto “a” é ao mesmo tempo uma questão ética, teórica e clínica, cujo diagnóstico diferencial que dali advém, constitui a direção do tratamento psicanalítico.
