Perpétua Medrado Gonçalves (CLIPP/EBP/AMP)
medradoperpetua@gmail.com
Lacan, fala de suplência em seu texto De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, onde define a psicose em referência à foraclusão do significante do Nome-do-Pai. A noção de suplência, nesse momento do seu ensino, é como um compensatório: “Ele mostra que para Schreber a figura do professor Flechsig não conseguiu preencher o vazio subitamente vislumbrado da Verwerfung inaugural”[1].
No Seminário III – As Psicoses, Lacan afirma:
É um mecanismo de compensação imaginária — verifiquem a utilidade da distinção dos três registros, — compensação imaginária do Édipo ausente, que lhe teria dado a virilidade sob a forma, não da imagem paterna, mas do significante, do Nome-do-Pai[2].
Maleval, toma a suplência no último ensino de Lacan, marcando a diferença com a compensação. “Nos últimos anos do seu ensino, Lacan apresenta algumas hipóteses sobre a existência de outros tipos de suplência e outras modalidades de amarração dos elementos da estrutura”[3].
Em seu Seminário 23 – O Sinthoma, encontramos a passagem da linguística para a topologia, por meio da grafia sinthoma. Lacan busca os textos de Joyce para transmitir o que é um sinthoma, como este vai amarrar simbólico, real e imaginário. “Mas é claro que a arte de Joyce é alguma coisa de tão particular que o termo sinthoma é de fato o que lhe convém”[4].
Jacques-Alain Miller, extrai do texto O Aturdito, uma proposta que me parece interessante: “descobre-se o que já está lá, inventa-se o que não está”[5].
Agnès Aflalo, nos traz uma indicação preciosa sobre a amarração que forneceu certa estabilidade ao Homem dos Lobos.
Sergei Pankejeff começou a se identificar socialmente como Homem dos Lobos. Esta solução resolveu algo do real com certa efetividade, na medida em que o simbólico nomeou o objeto de gozo e deu-lhe um lugar subjetivo[6].
Sandra Grostein fala sobre o conceito de suplência:
Através dessa nova forma de concebermos uma suplência, podemos encontrar, especialmente nos casos de “psicoses ordinárias”, soluções fora do senso comum, que não buscam complemento delirante de um sentido fálico, mas que demonstram seu potencial de organizar e manter articulados o que sustenta o mundo de um sujeito psicótico[7].
