2º Semestre / 2026
O caso Dora e as novas histerias
“A mulher não existe”
Coordenação:
Débora Garcia,
Niraldo de Oliveira Santos e
Rosângela Carboni Castro Turim
Numa época de auge do capitalismo e das relações de consumo, dos objetos infinitamente produzidos e facilmente substituíveis, em que damos a revolução sexual por consumada e já superada, em que os progressos da ciência e da tecnologia nos prometem uma vida quase sem fronteiras, por que estudar a histeria, ainda?
Em primeiro lugar, porque a histeria está na origem da psicanálise: foi o mistério dos sintomas histéricos sem nenhuma causa orgânica, provocando ao mesmo tempo dor e prazer, o que levou Freud a investigar o funcionamento do psiquismo.
Desde Freud, muita coisa mudou. Novas formas de fazer laço social, novas configurações familiares, novas relações com o corpo, com a sexualidade e com o prazer. No entanto, as grandes questões humanas acompanham a história e persistem, revestindo de enigma e incerteza a existência humana. Na atualidade, o corpo, o desejo e o amor continuam configurando as principais queixas pelas quais os sujeitos chegam aos consultórios dos psicanalistas – um “não saber fazer” com o gozo que habita o corpo e com a alteridade.
Com Lacan, a histeria demonstra como o corpo tocado pelo significante faz ressonâncias no campo do gozo. Os sujeitos histéricos portam em seus corpos o discurso da época, um sintoma, articulando o real do corpo e o simbólico da linguagem. A histeria evidencia a inexistência d’A Mulher e a impossibilidade de um saber sobre o gozo como tal, dito feminino.
Neste semestre, as recentes elaborações conceituais sobre transferência, desejo, gozo, amor, identificação e corpo, estarão em destaque.


































