Investimento: R$178 (semestral)

 

sábado | mensal | 10h00/11h30
atividade online

 

Coordenação

Durval Mazzei Nogueira Filho (dr.durval@uol.com.br)

Angelino Bozzini (angelino.bozzini@gmail.com)

Serão quatro encontros do Núcleo em Pesquisa em Toxicomania no segundo semestre. Os encontros acontecerão nos dias 29/08, 26/09, 24/10 e 21/11.

Iniciamos este ano discutindo uma série de discursos não psicanalíticos. Centramos em autores que, sem exagero, são drogálatras – Aldous Huxley e Sergio Albano – pois atribuem a certas drogas uma função revelar a verdadeira realidade sob o muro de significações e/ou representar a liberdade de gozo aos seres. Assim, as drogas revelariam a verdade por inteiro e/ou Imaginarizariam o gozo. Um terceiro autor – Burroughs, em texto de 1953 – faz um relato autobiográfico sobre como outras certas drogas dominam totalitariamente a economia desejante de um sujeito. E um último, Simunek, em texto escrito em 2002, demonstra a diferença entre os 50 anos que os separam: as drogas de um artefato marginal ganham um lugar na vida usual. Representam parte consistente das falas comuns sobre as drogas, como chegam no dizer de candidatos à análise: da celebração à tragédia.

Neste segundo semestre, voltamos ao discurso analítico sobre esse tema. Tema que não foi especificamente desenvolvido nem por Freud, nem por Lacan. Sem obstar, passagens importantes destes dois autores serão comentadas. E, cabe salientar, a questão adicta tem um claro sentido histórico, pois tomou vulto popular a partir dos anos 60 e vive o clímax na contemporaneidade.

Ao lado disso, autores fora da orientação lacaniana serão comentados. Notadamente, Otto Fenichel (Teoria Geral da Neuroses) e Sandor Radò (Psicoanálisis de la conducta). Este último, construtor de um conceito bem interessante: o metaerotismo.

Nos últimos encontros, centraremos no texto Toxicomanias, desenvolvido por Durval Mazzei e publicado em 1999 pela editora Escuta. O fundamento deste escrito é a constatação que a experiência (Erlebnis) da droga implica numa vivência integral sobre a estrutura borromeana do sujeito seja esta qual for (Neurose, Psicose, Perversão ou Ordinária). O resultado mais claro é a subversão da subversiva pulsão: esta perde a acefalia e, instintivada – perdão pelo neologismo, encontra para a satisfação um objeto único. Seja como primário, seja como parceiro privilegiado de qual seja o ato. Nesta empresa, seremos acompanhados por autores como Jésus Santiago (A droga do toxicômano. Uma perspectiva cínica na era da ciência), Ernesto Sinatra (A nomeação e o recurso às drogas ou a operação de nomear no discurso analítico, em O Brilho da Infelicidade), Jacques Alain Miller (Para una investigación sobre el goce autoerótico, em Sujeto, Goce y Modernidad) e Luis D Salamone (El silencio de las drogas).

Aguardamos a presença e o interesse da comunidade CLIPP.

CRONOGRAMA:

    • 29/08 –
    • 26/09 –
    • 24/10 –
    • 21/11 –

BIBLIOGRAFIA:

NOGUEIRA FILHO, D.M. Toxicomanias. Escuta: São Paulo, 1996.

Instituto del Campo Freudiano. Sujeto, Goce y Modernidad. Fundamentos de la Clínica. Atuel – TyA (S/D).

Una predicción visionaria – Aldous Huxley. Em “El Club del Haschisch” Taurus Ediciones, Barcelona, 1976.

Junky (drogado) – William Burroughs, Editora Brasiliense, São Paulo, 1984.

Paraíso na Fumaça (viagens de um jornalista da High Times) – Chris Simunek Conrado Editora, São Paulo, 2002

MILLER, Jacques-Alain. “Para uma investigação sobre o goce auto erótico”. In: SINATRA, Ernesto; SILLITTI, Daniel; TARRAB, Maurício (Org.). Sujeto, goce e modernidade: fundamentos da clínica. Buenos Aires: Atuel, 1995. p. 13-22. 

SALAMONE, L. D. O Silêncio das Drogas. Grama Edições. 

SANTIAGO, Jésus. A droga do toxicômano. Uma perspectiva cínica na era da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

SINATRA, Ernesto. A nomeação e o recurso às drogas ou a operação de nomear no discurso analítico. In: O Brilho da InFelicidade/ Kalimeros – Escola Brasileira de Psicanálise – Rio de Janeiro. – Rio de Janeiro. Contra Capa Livraria, 1998, p.65.