Leny Magalhães Mrech (EBP/AMP/Clipp)
leny.mrech@gmail.com
O Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação (NUPPE) tem uma longa trajetória. Ele nasceu como um produto do Convênio Internacional entre a Associação Mundial de Psicanálise, a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e o Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) em 15 de março de 1997.
A partir de 2019 o NUPPE passou a fazer parte da CLIPP (Clínica Lacaniana de Atendimento e Pesquisas em Psicanálise), como um dos seus núcleos de investigação, permanecendo, contudo, ainda vinculado à FEUSP. E nesse espaço buscou não se reduzir à mera aplicação da psicanálise à educação, visando criar um lugar de aprofundamento das pesquisas em que os impasses da experiência educativa sejam interrogados à luz da ética e da lógica próprias à psicanálise.
O NUPPE entende ainda que, do ponto de vista do campo da educação, este não pode ser apreendido através de modelos normativos, pedagógicos ou adaptativos, pois se fazem sempre presentes de modo incontornável, as dimensões do mal-estar, do desejo e do gozo.
Em momentos anteriores foram privilegiados o primeiro ensino de Lacan dando ênfase ao significante, ao desejo e à ordem simbólica, na constituição do sujeito. Ao longo dos últimos anos tem-se trabalhado com o chamado último ensino de Lacan, privilegiando conceitos como lalíngua, gozo, letra, real e outros. Em função deles tem havido um deslocamento significativo das pesquisas em direção a lalíngua, ao real, ao corpo, ao gozo e às formas singulares de amarração, que permitem ao sujeito sustentar-se de alguma forma no laço social. São fenômenos contemporâneos que atravessam a educação, sobretudo aqueles que escapam à interpretação universalizante. No último ensino o sujeito aparece como parlêtre, como ser falante, cujo corpo é afetado pela linguagem não se reduzindo à ordem do significante, do sentido e da significação.
A noção de lalíngua, por sua vez, recolhe a materialidade pulsional e gozosa da linguagem, revelando que a palavra não opera apenas como veículo de comunicação ou significação, mas também como marca que incide no corpo. O sinthoma surge como uma amarração do real, imaginário e simbólico, constituindo uma solução própria, por meio do qual cada sujeito trata o gozo e encontra uma maneira de habitar o mundo e fazer laço com o Outro; essas noções têm consequências diretas para a pesquisa de psicanálise e educação, permitindo sair de um olhar idealizado do ato educativo, para uma leitura que reconhece a existência de um real que sempre escapa.
O NUPPE, ao se orientar pelo último ensino de Lacan, afirma sua posição investigativa dos fenômenos atuais que ocorrem na educação, procurando manter em aberto um espaço de pesquisa e transmissão da psicanálise e educação, revelando a necessidade de invenção diante do real próprio ao ato de educar.
Neste semestre o NUPPE terá como tema “Psicanálise e Educação: uma leitura a partir do último ensino de Lacan”, investigação do que tem ocorrido na educação e de como ela tem sido atravessada pelos sintomas contemporâneos.
