Angelino Bozzini
angelino.bozzini@gmail.com
Durval Mazzei Nogueira Filho (Clipp)
dr.durval@uol.com.br
Serão quatro, os encontros do Núcleo de Pesquisa em Toxicomania no segundo semestre. Iniciamos este ano discutindo uma série de discursos não psicanalíticos. Centramos em autores que, sem exagero, são drogálatras – Aldous Huxley e Sergio Albano – pois atribuem a certas drogas a função de revelar a verdadeira realidade, sob o muro de significações e/ou representar a liberdade de gozo aos seres. Um terceiro autor – Burroughs – faz um relato autobiográfico sobre como certas drogas dominam totalitariamente a economia desejante de um sujeito. São autores que representam parte consistente das falas comuns sobre as drogas, como chegam no dizer de candidatos à análise: da celebração à tragédia.
Neste segundo semestre, voltamos ao discurso analítico sobre esse tema, tema que não foi especificamente desenvolvido nem por Freud, nem por Lacan. Sem obstar, no entanto, passagens importantes destes dois autores serão comentadas. E, cabe salientar, a questão adicta tem um claro sentido histórico, pois tomou vulto popular a partir dos anos 60 e vive o clímax na contemporaneidade.
Ao lado disso, autores fora da orientação lacaniana serão comentados, notadamente, Otto Fenichel e Sandor Radò – este último, construtor de um conceito bem interessante: o metaerotismo.
Nos últimos encontros, centraremos no texto Toxicomanias, desenvolvido por Durval Mazzei e publicado em 1999 pela editora Escuta. O fundamento deste escrito é a constatação que a experiência (Erlebnis) da droga implica numa vivência integral sobre a estrutura borromeana do sujeito seja esta qual for (Neurose, Psicose, Perversão ou Psicose Ordinária). O resultado mais claro é a subversão da subversiva pulsão: esta perde a acefalia e, instintivada – perdão pelo neologismo – encontra para a satisfação um objeto único; seja como primário, seja como parceiro privilegiado de qual seja o ato.
Nesta empresa, seremos acompanhados por autores como Jésus Santiago, Ernesto Sinatra e Jacques Alain Miller.
Aguardamos a presença e o interesse da comunidade CLIPP.
