Sandra Arruda Grostein (AME/EPB/AMP/Clipp)
sandragrostein@gmail.com
Este número da revista HADES está dedicado inteiramente à apresentação dos Núcleos de Pesquisa, da Oficina de Topologia, do Seminário de Leitura e da Seção Clínica, trabalhos que complementam a proposta de transmissão oferecida pela CLIPP através do Curso de Psicanálise, “Os casos Clínicos de Freud e o Ensino de Lacan”.
Estas modalidades de transmissão – Pesquisa, Leitura, Seção Clínica – são atividades nas quais programa e participação não obedecem a uma programação e a um público fixo, como acontece no Curso de Psicanálise. Devido à grande diversidade nos programas, poder acompanhar a lógica que cada um escolheu para desenvolver seu propósito nem sempre é evidente. Portanto, a ideia de apresentá-los neste número da HADES pode ajudar ao interessado em acompanhar o trabalho na CLIPP, incluir as informações oferecidas detalhadamente pelos responsáveis.
O Seminário de Leitura coordenado por Carmen Sílvia Cervelatti, neste semestre, vai dar continuidade ao trabalho com a clínica borromeana e a topologia. O conceito visado, portanto, é o do gozo no ensino de Lacan através dos Seminários, livro 22 (inédito) e do Seminário, livro 23 – O Sinthoma (1975/76). Carmen apresenta seu objetivo com a leitura destes seminários: “Fazer o nó borromeanamente, ou não, é disso que se trata na análise, esta é a sua eficácia”. Não se trata de uma afirmação de fácil entendimento, ao contrário – ela pede muita leitura e estudo, tal qual o modelo proposto visa desenvolver.
Os Núcleos de Pesquisa têm um formato que a CLIPP, desde sua constituição, buscou diferenciar da pesquisa desenvolvida no Instituto, da pesquisa apresentada pelos Cartéis da Escola. São dois modos diferentes de investigação; a do instituto busca dentro de sua especificidade um resultado mais compartilhável no próprio instituto, já o cartel prioriza o trabalho próprio de cada um.
São seis os Núcleos de Pesquisas, cada um se dedicando a um tema específico, sendo que quatro deles visam a articulação da psicanálise com alguma outra área do conhecimento ou de interesse, por exemplo: “Psicanálise e Filosofia”, “Psicanálise e Educação”, “Psicanálise e Medicina”; mas também dentro de um tema de pesquisa próprio, “Psicanálise e Toxicomania”, por exemplo. Contamos com dois outros Núcleos temáticos – “A política do Sintoma” e “O ensino através da Apresentação de Pacientes”.
Os textos que os leitores da HADES vão encontrar neste número abarcam a apresentação da maioria dos Núcleos, com exceção do “Núcleo Psicanálise e Medicina”, que se encontra no momento de reformulação de seu programa, coordenação e participantes.
“Psicanálise e Filosofia”, duas áreas do conhecimento muito diferentes, mas com pontos de contato importantes. Neste semestre, como em outros, há uma questão que perpassa a pesquisa, nas palavras das coordenadoras “Entre discursos diferentes arrisca-se o equívoco; entre psicanalistas e filósofos qual seria o diálogo possível? Já que se corre o risco de que cada um tome do discurso do outro apenas o que lhe interessa, descaracterizando-o”.
“Psicanálise e Educação” também tenta articular duas áreas distintas do conhecimento – podemos situar a Educação num campo mais próximo em termos de prática, mas mais distante em suas considerações teóricas quando comparadas à dificuldade do diálogo com a filosofia.
“Toxicomania” entre Literatura e Psicanálise, pretende neste semestre, voltar seu olhar em direção à psicanálise, tendo em vista que no semestre passado o olhar estava dirigido à literatura.
A “Política do Sintoma” – um nome muito convidativo para um núcleo de pesquisa em psicanálise, reúne dois termos aparentemente dissociados: o que a política tem a ver com o sintoma e vice-versa. Os coordenadores visam neste semestre aprofundar a tese de que “o sentido do sintoma é real” e pertence ao seu tempo.
O ensino da psicanálise através da “Apresentação de Pacientes” busca neste núcleo recuperar, na prática da psiquiatria, as coordenadas para uma transmissão do trabalho com a psicose, da qual a psicanálise busca se aproximar, como alternativa ou complemento aos medicamentos e hospitalização para os psicóticos.
Uma atividade recentemente incluída no conjunto do trabalho de transmissão e ensino da psicanálise de orientação lacaniana ao qual a CLIPP se dedica, foi a “Oficina de Lógica e Topologia” coordenada por Maria Bernadette Soares de Sant’Ana Pitteri, cujo principal objetivo, diferentemente das outras modalidades como os núcleo de pesquisa, seminário de leitura ou mesmo a seção clínica, está no formato de oficina que inclui “acompanhar os desenvolvimentos lógico-topológicos que exploram a equivalência entre propriedades estruturais de sistemas formais e modelagens geométricas” através da leitura dos textos de Lacan que tratam do tema.
Para finalizar este extenso projeto de Instituto que a CLIPP se propõe a desenvolver desde 2003, encontramos a apresentação da “Seção Clínica”, cuja finalidade se divide em atendimento clínico à população e discussão constante sobre a necessária atualização da clínica psicanalítica.
A decisão da editoria da HADES em escolher este modo de apresentação das atividades de formação da CLIPP através de textos de seus respectivos coordenadores visa tornar público, num só veículo, o que está provocando o desejo de saber dentro desta comunidade.
Aproveitem a leitura.
