A Clínica está no nome e no DNA do nosso Instituto. Herdeira do extinto IPP, a Seção Clínica permanece, desde a criação da CLIPP em 2002 e até os dias atuais, no propósito de contribuir com a formação teórico-clínica da psicanálise de orientação lacaniana.
A Seção Clínica da CLIPP tem duas vertentes: os atendimentos realizados pelos participantes do Instituto e as reuniões epistemológicas semanais. Composta por um grupo heterogêneo, conta com a participação de alunos do curso de Psicanálise, com associados da CLIPP, e também com outros participantes que se endereçam ao instituto para uma formação permanente.
Os encontros semanais têm o propósito de promover uma discussão teórico-clínica de conceitos pertinentes à clínica psicanalítica. O tema se renova a cada semestre, ora visando uma atualização teórica de conceitos da psicanálise de orientação lacaniana, ora uma discussão teórico-clínica de algum encontro/congresso da EBP/AMP, da própria Seção Clínica ou da Apresentação de Pacientes.
A Apresentação de Pacientes – atividade proposta por Lacan, sempre fez parte da Seção Clínica da CLIPP. Realizada em parceria com o psiquiatra Andres Santos Jr, inicialmente no Hospital N. Sra. de Fátima, e posteriormente no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). Uma única entrevista realizada, em sua maioria, pela psicanalista Sandra Grostein, promove uma interlocução com os psiquiatras e psicanalistas em formação. Descontinuada por alguns períodos e retomada recentemente, em nova parceria com o psiquiatra Lucas Huhn Firmino, a Apresentação de Pacientes permanece como uma atividade privilegiada, pois contribui tanto para o raciocínio clínico dos residentes da psiquiatria, como uma alternativa de encaminhamento e tratamento para o paciente, além da experiência ímpar na formação clínica dos participantes da Seção Clínica.
A coordenação geral da Seção Clínica sustentada e presidida por Sandra Grostein, conta desde 2022 com colaboradores, tanto na vertente dos atendimentos (João Paulo Desconci, Márcia Barbeito e Daniel Gomes Batelli) quanto na vertente clínico/epistemológica (Maria Helena Barbosa e Rosangela C. Turim/Marizilda Paulino e Rosangela C. Turim). Tal reorganização contribuiu para a implantação de um projeto piloto que sistematizou e formalizou o agendamento e encaminhamento, com uma plataforma dinâmica e interativa para os atendimentos da Seção Clínica. Quanto à vertente clínico/epistemológica, a experiência da coordenação geral nos propõe alternativas que possam contemplar, a partir do ensino de Lacan e da orientação de Miller, conceitos fundamentais para a clínica – por exemplo, a atualização da interpretação dos sonhos, tema que trabalhamos no último semestre.
Escrever este texto, pensado para a HADES como proposta de apresentação da Seção Clínica, resgatou uma memória viva de parte importante da história da CLIPP, bem como do entusiasmo e satisfação em continuar participando e ajudando a escrever esta história.
