
Editorial Revista Hades – Vol. 6 – N. 6 – outubro de 2026 – www.clipp.org.br
Katia Ribeiro Nadeau (Clipp)
katiaribeironadeau@gmail.com
Nesta edição, a revista HADES traz referências do cinema, mencionadas por Jacques Lacan em sua obra. Como a obra de arte antecede à psicanálise, temos os recortes e olhares de nossos autores, onde estilo e escrita se presentificam nos esforços em transmitir a arte do cinema como inspiração à psicanálise de orientação lacaniana. Assim como Lacan, que articulou cinema e psicanálise em algumas de suas mais belas elaborações, seguem nossos esforços com a escrita nesses traços ensinantes, provenientes das articulações e interlocução das referências da teoria lacaniana com o cinema.
De amor e de morte – O Império dos Sentidos
Maria Bernadette Soares de Sant´Ana Pitteri (Clipp/EBP/AMP)
m_bernadettep@yahoo.com.br
O Império dos Sentidos (L’Empire des sens/Ai no korida, França/Japão, 1976), de Nagisa Oshima (1932-2013), provocou escândalo ao ser apresentado no Festival de Cannes em 1976 – na época considerado pornográfico, hoje é encarado como cult. Um dos filmes mais crus do cinema de arte com cenas de sexo explícito, não simulado, originou debates em relação aos limites entre expressão artística e pornografia.
A sutura e a agulha curva de Luís Buñuel, em Él (O alucinado, 1952)
João Paulo Desconci (Clipp)
jpdesconci@gmail.com
Em 1954, uma exibição privada do filme Él (O Alucinado, 1952), de Luis Buñuel, organizada pela UNESCO, reuniu psiquiatras e psicanalistas em Paris. Na plateia, Jacques Lacan assombrou-se com a exatidão clínica na representação da paranoia, reconhecendo nela “o sotaque da verdade”. A obra antecipa a formalização clínica, ao articular o ciúme delirante e a psicose com as leis do significante, funcionando como uma anatomia rigorosa do delírio paranoico, na sua relação intrínseca com as leis do significante.
A natureza transferencial
Claudio Ivan Bezerra (Clipp)
claudioivanbezerra@gmail.com
No primeiro capítulo do Seminário 8 – A Transferência, Lacan faz referência ao filme De repente, no último verão, momento em que trabalha a questão da intersubjetividade na relação analítica e a posição ética na condução do manejo transferencial.
Hiroshima, meu amor: sobre uma passagem do Seminário 10 – A Angústia
Vera Lúcia Dias (Clipp)
vludias@gmail.com
No último capítulo do Seminário 10 – A angústia, Lacan retoma a questão do luto a partir da relação do sujeito com o objeto. Ele usa uma breve referência ao filme Hiroshima, meu amor, de modo a introduzir um comentário, paradoxal, sobre a substituição do objeto amado…
A/r/te
Alessandra Cunha Andrade Fabbri (Clipp)
fabbriac@gmail.com
La Dolce Vita, de Federico Fellini (1960), é um clássico da cinematografia italiana que retrata a vida no pós-guerra dos anos 50, determinada pelo expansionismo econômico nas sociedades em busca de reconstrução. Viver intensamente com realização espiritual total, este era o lema da época, nesses anos dourados de excessos na busca incessante de prazer e felicidade.
Um Cão Andaluz
Noemi de Araujo (Clipp)
marianoemi171@gmail.com
A estética do filme Um Cão Andaluz (1929, 16’) de Luis Buñuel e Salvador Dalí marcou a história da arte e da intelectualidade da geração de Jacques Lacan. Destaco duas de suas sequências mais delirantes, que acabaram ecoando no ensino de Lacan três décadas após seu lançamento em Paris. São sequências surpreendentes, provocadoras, provocadoras e enigmáticas, com apelo ao sem-sentido e ao vazio em lugar de convencionadas explicações racionais, psicológicas ou culturais, inspiradas em experiências oníricas de seus roteiristas Buñuel e Dalí. Em seu sonho, Buñuel estaria numa nuvem fina cortando um olho com uma navalha: já Dali sonhara estar com a mão cheia de formigas.
Entre o senhor e o rico: o sujeito e o discurso capitalista na clínica psicanalítica
Melissa Ágda da Silva
melissa.agdas@gmail.com
Desde Freud, a arte é colocada como cara à psicanálise, pois ele reconhece nas produções artísticas um saber próximo ao da psicanálise. Lacan, retomando Freud, segue essa orientação e, ao longo de seu ensino, recorre reiteradamente às contribuições artísticas como um indicativo do saber-fazer que interessa à experiência psicanalítica. Entre essas contribuições, encontram-se diversas referências ao cinema, dentre as quais o filme Satyricon, de Federico Fellini.
O olhar em A Janela Indiscreta (Rear Window), Alfred Hitchcock, 1954.
Márcia A. Barbeito (Clipp)
marciabarbeito@gmail.com
O olhar é o personagem principal do filme: Jeffries, com a perna quebrada, em repouso por cinco semanas, está impossibilitado de sair do apartamento. Ele começa a se interessar pela vida de seus vizinhos, que vê através de sua janela.
A regra do Jogo
Sonia Perazzolo (Clipp)
soniaperazzolo@gmail.com
Ano de 1939. No cenário geopolítico, o totalitarismo avança pela Europa. Em setembro desse ano eclode a segunda guerra. No cinema, os filmes E o vento levou e Mágico de Oz estreiam, causando enorme repercussão mundo afora, inclusive com relatos de que estes serviriam como recreação para as tropas.

A Revista Hades é uma publicação mensal editada
pela Clínica de Atendimento e Pesquisas em Psicanálise (Clipp).
ISSN: 3085-9492
