Externalidades

Rosângela Turim (CLIPP) rccastroturim@gmail.com Giolana Nunes (CLIPP) giolananunes@gmail.com    Miller aplica à clínica o conceito da economia das externalidades como efeitos colaterais de decisões sobre terceiros, para diferenciar de que modo sujeitos neuróticos ou psicóticos ordinários, experimentam a desordem que atinge a “junção mais íntima do sentimento de vida” [1]. Isto nos orienta a prestar…

Trauma

Marizilda Paulino (CLIPP/EBP/AMP) marizildapaulino@gmail.com   Embora o trauma não seja um termo específico da psicanálise, o trauma para a psicanálise pode ser pensado como uma vivência, uma experiência muito intensa que o psiquismo humano não consegue processar; uma experiência que supõe algo que ultrapassa radicalmente as defesas do indivíduo, que o remete a uma desproteção…

(Não) extração do objeto a

Rodrigo Camargo (CLIPP) agnera@hotmail.com   Numa nota de rodapé incluída em 1966 por ocasião da publicação dos Escritos, Lacan acrescentou em seu texto De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose [1], acerca do Esquema R, que a não-extração do objeto pequeno a seria concomitante à “emergência do tudo-saber” na psicose. Nas palavras…

Sobre o conceito de Suplência em Lacan

Perpétua Medrado Gonçalves (CLIPP/EBP/AMP) medradoperpetua@gmail.com   Lacan, fala de suplência em seu texto De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, onde define a psicose em referência à foraclusão do significante do Nome-do-Pai. A noção de suplência, nesse momento do seu ensino, é como um compensatório: “Ele mostra que para Schreber a figura…

Vol. 5 – N. 9 – Dezembro de 2025

Editorial Revista Hades – Vol. 5 – N. 9 – dezembro de 2025 – www.clipp.org.br João Paulo Desconci (Clipp) Esta bela edição da Hades evidencia a exuberância do texto freudiano em relação à arte. Em O Moisés de Michelangelo de 1914, por exemplo, apesar de se apresentar como leigo no assunto, Freud conta que as…

A Gradiva de Jensen

Maria Bernadette Soares de Sant´Ana Pitteri (Clipp/EBP/AMP) m_bernadettep@yahoo.com.br   … os poetas, que não sabem o que dizem, como é bem sabido, sempre dizem, no entanto, as coisas antes dos outros (LACAN, 1985 [1954-1955], p. 14). A caracterização da vida psíquica humana é, de fato, o autêntico domínio do escritor. Ele sempre foi um precursor…

O poeta e o fantasiar e a interpretação

Carmen Silvia Cervelatti (Clipp/EBP/AMP) carmencervelatti@uol.com.br   Freud escreveu, em 1908, o texto O poeta e o fantasiar (Autêntica), título também traduzido por O escritor e a fantasia (Cia das Letras) e Escritores criativos e devaneios (Imago).  Há algum fio que ocupou Freud, notavelmente quando aproximamos outros textos do mesmo período: O delírio e os sonhos…

Quixote: O delírio poético X o delírio clínico*

Andres Santos Jr. (Psiquiatra, Psicanalista) andressjr@gmail.com   Sob o olhar psiquiátrico Se considerarmos Alonso Quijano como um personagem “real”, observamos um delírio sistematizado, coerente, expansivo e crônico; sustentado por ideias delirantes de grandeza (acredita ser cavaleiro investido de missão divina); interpretação delirante da realidade (moinhos como gigantes, estalagens como castelos, camponesas como damas nobres); e…